Lembrei-me da saudade.
Minha alma acordou sem ar,
ofegante a tentar dos sentimentos todos
(caídos pelos vãos do quarto
- [i]
mundo e escuro -
cansados de vaguearem desnorteados no ar
a suplicar às janelas que lhes permitissem
fugir do horizonte dos olhos etílicos
que lhes açoitam: os meus!
olhos viciados de um cheiro mal dito,
do gosto gemido de uma boca
em carne viva,
como uma lágrima passada-vencida,
mas viva na nota solitária de uma canção
que na saudade - puta de ombros largos,
de seios mimosos, de fala enuviada
e de domingos manchados de vinho
nos lábios -
faz respiração boca-a-boca;
[e na minha persiste as mãos daquela língua adstringente,
um vazio inquieto e debatido,
num incompreensível
sufocar da alma
que é a ausência quando acorda.])
resgatar a fuga,
como quem diz oxigênio.
Hoje lembrei-me, com o espírito transpirante
e o peito vestido de preto, Dela:
que não se extingue, e é só a Saudade!
habitante paciente
dos meus porões mais sombrios:
Lá eu guardo o sol
e as janelas!
Hoje lembrei-me do caminho,
hoje estou perdido.
.
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