domingo, 26 de junho de 2011

id

Ao voltar pra casa, o barulho dos meus passos propagados pelo imenso das ruas sorridentes, ainda caladas  - um sorriso absorto do teu gosto, que se faz um traço no meu mundo, um trago de vida agora perpetuado como saudade na minha pele -, é a prova inegável da realidade latente do meu sonho: foi de carne e alma!

No chão do teu quarto, o cinza do vestido jogado é a confissão rendida do fogo já posto ante ao silêncio serene do gozo que se findou nos nossos suspiros: é o fim da fogueira apagada pelo suor fulgurante das duas almas-carne que se comem de intensidade e gosto.

Essas linhas são agora escritas da memória de uns beijos desertores, que encantados pelo ardor saboroso dos teus mamilos, fugiram para testemunhar aos deuses da poesia a insanidade desses momentos despidos de tempo, em que a vida se nos apresentou na sua mais lasciva face: dois corpos num mesmo ponto de intersecção!

E mais, o meu suor fazendo rio no teu ventre compõe a história inédita que se posta em letras vivas, a representar a nova página (filha daquela já virada) a sobrepor-se àquela cada vez mais ontem, que de tão super-ego, fez-se um sentir já apreendido numa insensível possibilidade: a saudade insípida.

O que o id sabe tão mais da vida?...




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