terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

sincera madrugada

o Sol fecunda a terra
mas ama mesmo a Lua
a amante de pele clara
com quem não pode se casar

e é só na noite profunda,
essa que despe a hipocrisia
escondida nas aparências do dia, esse conservador
que eles se declaram e podem se encontrar...

é por isso que o amor é melhor
à luz da madrugada
que é, na natureza, o disfarce da verdade
e, na vida, a água do desejo.

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

novas fotos

as novas fotos do blog são obras de duas amigas minhas.

a primeira, que passa a abrir a coluna da direita, é da minha amiga-irmã-gêmea Marjana Brun, que com um olhar sensível retratou o amanhecer na região da campanha durante uma viagem pelas proximidades de São Gabriel, minha terra natal. O jogo de cores e o sentimento da imagem retratam muito o que se pretende expor nesse blog. É uma foto viva, vertente. Talvez reflita bem o que é a fotógrafa, que em pouco tempo se mostrou uma pessoa muito valorosa, de virtudes e qualidades marcantes, tantas que me honra poder chamá-la de amiga e poder considerá-la uma irmã, que nasceu no mesmo dia que eu e que o acaso, sabe-se lá porque, só veio me apresentar agora. Aliás, não só ela, como também o seu noivo Roney. Acho que tu escolheu bem o meu cunhado, Mag (rs).

as demais distribuídas ao longo da página retratam o pôr-do-sol de Porto Alegre, às margens do Guaíba, e resultam do talento ululante da amiga Ane Adam, que - como vocês, caros leitores, devem concordar comigo - deve o mais rápido possível investir nessa carreira artística e apostar na fotografia como uma forma de expressão. A capacidade de aprisionar as imagens belas é algo que salta aos olhos de todos, Ane. Siga em frente.

Beijos e abraços a todos, em especial às fotógrafas.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

rotina

Acordo e te dou um beijo
E te juro o meu amor
E pr'as minhas tarefas correndo eu vou
Pra logo voltar

E volto cedo, te dou um novo beijo
Repito a minha saudade
Pego-te pelo braço
E te rodopio num abraço.

Conto o que comigo aconteceu
Ouço o relato do dia teu
Pego-te distraída pensando na vida
E prometo uma saída

Levo-te pro mercado
Sorrio pra ti, te causo o riso
Pra ser gostosa essa rotina
De padaria, fruteira e paraíso.

A gente volta, eu não te deixo
Dou-te mais um olhar malandro, um beijo
Tu me  pedes pra parar, mas não adianta
Muito mais me interessam os teus lábios que a janta

Logo mais, tempo maldito
Chega a hora de nossos corpos imitarem o horizonte
Eu, pro costume não perder, dou mais um beijo bendito
E bons desejos revelo-te aos montes...

E a gente passa então a sonhar inconscientes...
Tua cabeça escondida no meu peito,
Tua mão na minha orelha e a minha nas tuas costas
Desenhando um "pra sempre" imaginário e sem jeito...

Acordo e te dou um beijo
E te juro o meu amor
E pr'as minhas tarefas correndo eu vou
Pra logo voltar

pr'essa  rotina...


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

conversa

O calor está deveras sufocante por aqui. E eu encontro-me introspectivo desde a hora em que os meus olhos rompem a escuridão do inconsciente até o novo sono me desligar do mundo real.

No futuro e no passado residem os meus pensamentos, muito pouco no presente, que por uma dúvida pulsante parece completamente tomado. Talvez a isso se deva a minha inspiração pouco marcante nos dias últimos.

Penso que carreiras devem ser construídas e que a minha eu sei, só não sei os meios para alcançá-la. Penso que escrever é um passatempo bem mais essencial do que comer, por vezes. 

Penso na minha musa maior, aquela que escreveu na minha história com sorrisos e olhos belos, com uma porção de flores e com um jeito ímpar o seu nome e que, quer eu queira, quer eu tente evitar, sempre aparece nos meus dias de saudade. Penso na minha musa presente e imagino o nosso futuro, e sonhar faz bem, embora o viver seja acordado e um tanto convarde quando beija a incerteza. 

Penso, ainda, em concluir um poema a ser escrito em homenagem a Paola Oliveira, mulher de beleza gritante e cuja face me causa um sentimento esquisito e bom. 

Penso em logo montar um Instituto Cultural que à tona resgate uma série de preciosidades perdidas pelo futuro.

Não penso em ser feliz. Não penso em ser infeliz. 

São consequências. Tenho certeza.

Espero que os sonhos também existam desse lado do mundo. Espero não esquecer nunca os olhos verdes paranaenses e aquela doçura que tanto me encantou. Espero amar novamente e diferente e, também, eternamente esses novos que me aparecem tão grandiosos quanto aqueles, por mais contraditório que isso pareça para os não poetas.

Que ninguém se zangue ao ler o que aqui registro. É um importante desabafo. É uma conversa que não tenho coragem de ter a não ser escondido nesse personagem que é o Poeta!

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

saudade

Se a minha saudade falasse
acho que surdos estariam todos
daqui até o canto onde se esconde a garoa.

Se a minha saudade falasse
a falta que fazem os seios dela
deslizando no meu peito

Acho que envergonhado estaria o sol
e vermelho estaria o ar que me falta
e todas as coisas que voariam pela intensidade do grito

Se a minha saudade falasse
a vida trataria de se retratar com o universo
pois é incompreensível um amor assim sozinho.

Ah, se a minha saudade pudesse falar...
Talvez agora eu pudesse
Até sorrir, até voar.

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